Histórico
HISTÓRIA DA GALERIA DO ROCK
Projetada pelo arquiteto Alfredo Mathias, ele emprestou o seu excepcional talento em cada detalhe arquitetônico. Mathias também foi o responsável pelo projeto do conhecido Shopping Iguatemi, primeiro shopping Construído no Brasil e o majestoso Palácio Anchieta (onde se aloca a Câmara Municipal da Cidade de São Paulo), Portal do Morumbi entre outras dezenas de obras no País.
A Galeria do Rock chama a atenção pelo seu formato ondulado, inspirado no Copan. O edifício foi construído em 1963 e abrigava salões de beleza, lojas de serigrafia e assistências técnicas de aparelhos eletro-eletrônicos. Somente no final da década de 70, lojas de disco começaram a se instalar no local. Pelo grande número de estabelecimentos voltados para o público que gostava de rock, o Shopping Center Grandes Galerias foi apelidado de Galeria do Rock.
A galeria conta com 450 lojas e aproximadamente duzentas comercializam produtos relacionados ao mundo do rock. Além de vender CDs, discos, vídeos, camisetas e pôsteres, alguns estabelecimentos são estúdios de tatuagem e piercings. Nos últimos anos, o Hip Hop também conquistou seu espaço. Diversas lojas no térreo e no subsolo são dedicadas à cultura de rua.
Essa revitalização do espaço deve-se principalmente ao seu administrador e presidente do Instituto Cultural Antonio de Souza Neto (conhecido pela alcunha de ‘Toninho da Galeria’) que, diante das condições que enfrentou no início de sua gestão, foi qualificado de “Santo milagreiro” pela imprensa e pelos lojistas. Antonio que além de fotógrafo, jornalista e sociólogo, aplicou-se com obstinação em sua tarefa de remodelar e emprestar ao lugar o prestígio de que hoje desfruta. Hoje, o panorama é diferente: valorizada pela maravilhosa arquitetura original, 20 mil pessoas por dia circulam entre corredores limpos e com segurança.
Alguns números da Galeria:
-Área: 6 mil metros quadrados
-Lojas: 450 (cerca de 200 de CDs)
-Público: 20 mil clientes/dia
BREVE RELATO DO PRESIDENTE DO INSTITUTO CULTURAL GALERIA DO ROCK
Apesar de existirem algumas lojas direcionadas para o rock antes da nossa gestão, o “Shopping Center Grandes Galerias” era mais conhecido por “Galeria 24 de maio”, batizado assim pelos antigos frequentadores, em grande parcela, formadas por admiradores da música negra, com seus cabelos Black Power e que frequentavam os salões em busca dos bailes de samba Rock, principalmente no clube Palmeiras.
Em 1974, comprei minha primeira loja no local, onde montei também minha primeira loja de fotografia. Na época haviam várias outras lojas do ramo de fotos, além de dezenas de alfaiates, camiseiros e costureiras. Em 1976, montou-se a primeira loja de discos no local – a Wop Bop e no ano seguinte a Grilo Falante. Em 1978, surgiu a Baratos e Afins (até hoje na ativa) do produtor Luiz Calanca, que vendia todo o tipo de música, desde MPB e jazz, até rock e outros gêneros. No início tudo caminhou bem, mas com o passar dos anos, foram aproximando alguns grupos de Punk Rock, atraídos pela primeira loja voltada para este segmento, que tinha como proprietário, o Fábio, vocalista do seminal grupo Olho Seco. O antigo administrador passou então a culpar os roqueiros pelas brigas e uso de drogas pelos corredores. Já estávamos em meados da década de 80, mas o Mundo do Rock ainda era visto com preconceito arraigado. Como exemplo, o próprio Fábio, não concede entrevistas para a Rede Globo até hoje, por causa de uma cobertura tendenciosa de um evento ocorrido no Parque da Aclimação, em que a emissora alegou que a violência era devida ao “rock decadente da época atual”. Era uma cultura totalmente mal vista pela nossa sociedade. Neste período, o Fábio foi praticamente expulso da Galeria e não se permitia mais locar novos espaços para lojas de Rock ou de música. Julgava-se que assim, acabariam com a chamada “bagunça”.
Em 1991, eu e mais alguns lojistas criamos uma Associação (que seria o embrião do nosso Instituto Cultural), com o intuito de retirar a antiga Administração e buscar revitalizar o local. Após muita luta, pois haviam ainda resquícios do Regime Militar, fomos vítimas até de procedimentos “linha dura”, mas mesmo assim em 1993 assumimos o “Poder” da Galeria 24 de maio.
Apesar de muitas notas na mídia especializada, a primeira citação como “Galeria do Rock” foi numa extensa matéria na Vejinha (Veja São Paulo) em junho de 1994. Aproveitamos a matéria e começamos a vender a idéia do conceito “GALERIA DO ROCK” e, em pouco tempo a criatura ficou maior que os criadores. Eu estava saindo de um curso de Administração e Marketing e fiz uso desse aprendizado acadêmico para a arte de fazer Cultura.
A partir de nossa gestão abrimos espaço para todo jovem frequentador, estimulamos funcionários e ex-funcionários de lojas a abrirem seu próprio empreendimento na Galeria, visando criar novas lojas nste segmento. Foi uma grande ousadia, os mais conservadores acharam que ia ser o o fim do local, falavam que eu estava louco… Mas como eu era fruto da geração “Laranja Mecânica”, libertária, contra o regime militar e com Bakunin na cabeça, as críticas me davam mais força. Com o apoio dos fiéis companheiros, em um ano, dobramos a quantidade de lojas funcionando. Quando entramos, dos 450 espaços disponíveis, somente oitenta estavam funcionando e muito mal. Em 1995, estávamos com quase 200 espaços ocupados, predominantemente pelo segmento do Rock. Foi uma explosão de sucesso, quebramos paradigmas de toda a espécie, do ponto de vista antropológico, social, econômico, político, na linguagem, nos costumes e no comportamento. Geramos dissertação de Mestrado e até tese de Doutorado. Vendemos a Cultura do Rock pela mídia em geral e por mais improvável que fosse, acabamos fazendo a gênese com a Cultura Hip Hop, do Skate, da tatuagem, do piercing… Enfim, como diria Jung, “entramos no inconsciente coletivo”. Dificilmente alguma pessoa da nossa Cidade, Estado ou mesmo do nosso País, a não ser que não esteja plugado no contemporâneo, não tenha ouvido ao menos uma citação da Galeria do Rock.
Hoje todo o espaço está ocupado; são 450 lojas e com uma vertente cultural invejadíssima, principalmente após a criação do nosso Instituto Cultural, pilar de sustentação do nosso futuro Centro Cultural, que abrigará o sonhado e necessário Museu do Rock. Somos apoiados por um grande número de entidades, desde ONGs como o Greenpeace, até órgãos públicos como a Secretaria de Estado da Cultura, que acredita, no trabalho que estamos permanentemente construindo, pois nós temos um eterno jovem na família, mesmo que já cinqüentão: O bom e velho Rock’n'Roll!
Antonio Souza Neto, mais conhecido como Toninho da Galeria, também é presidente da Ação Local Paissandu, um dos 42 núcleos de Ações Locais coordenadas pela Associação Viva o Centro.

